Ouro Preto no trágico Natal de 1843 A tragédia em Minas Gerais, na mina de Cata Branca Há mais de século que se ouve falar, ocasionalmente, das inúmeras tragédias que se abatem sobre os mineiros profissionais, nas entranhas da terra. Em Vila Rica, sempre foi um acontecimento corriqueiro e as maiores vítimas, as mais desamparadas e oprimidas de todas elas: os escravos africanos. Todos os meses, especialmente na estação das chuvas, abriam-se registros de “morte por desgraça”, significando a queda de grandes pedras das galerias de mineração de ouro, sobre os pobres infelizes. O século XVIII passou e vieram os empresários ingleses, os novos exploradores, proprietários das minas de Minas. Na freguesia de Itabira do Campo, distrito de Ouro Preto (atual cidade de Itabirito), existiu uma mineração de ouro fundada por um certo Linhares, que a vendeu aos ingleses, por volta de 1830. A administração dos serviços de mina, com a introdução de maquinário hidráulico, era feito por oficiais da marinha britânica da região de Cornualha Muitos ingleses pobres e suas famílias, que não encontravam trabalho em sua terra, vieram aos montes para tentar a sorte, atrás do metal dourado. Construíram uma linda vila inglesa, com casinhas de arquitetura mestiça mineiro-inglesa, jardins e alojamentos arranjadinhos para quase quinhentos escravos, além dos trabalhadores europeus. Junto, a igreja, o comércio e a escolinha. Conta-se que, com tanta gente, trabalhava-se dia e noite, em três turnos, perfurando galerias profundas, na rocha, próximo ao grande pico do Itabirito. A vila, hoje, é um campo silencioso de ruas desertas e de ruínas engolidas pelo mato, guardando uma terrível memória. No dia 22 de dezembro de 1843, quase Natal, parte do túnel da entrada cedeu, sepultando mais de cem trabalhadores, entre brancos livres e escravos, além de qualquer possibilidade de resgate, com os recursos da época. Durante dias, ouvia-se o clamor e os gemidos dos soterrados, enchendo as pessoas de horror e angústia. Neste ponto, a direção da mina tomou uma decisão de encher qualquer um de pavor. Para abreviar o sofrimento dos desgraçados, bombearam água para dentro das galerias, matando os sobreviventes por afogamento, até que se fizesse um silêncio de morte. Não nos cabe mais julgar o mérito ou desumanidade daquela medida. Todos já se foram e respondem, cada um, pelas consequências de uma ação tão brutal. Dizem que a grande boca da mina ainda está lá, deserta e negra. Não muito longe, um cemitério acanhado e semidestruído ainda existe. Nele, se poderia ler, segundo um cronista de fins do século XIX, pelo menos uma lápide memorial ligada ao desastre: “Sacred to the memory of Thomas Thiack, who was killed in Cata Branca Mine, December 22nd 1843. Aged 31” Seu corpo e o de companheiros permanece enterrado no coração das Minhas Gerais, num cenário incrivelmente lindo. Não muito longe, o pico do Itabirito se eleva, rodeado de profundas cavas de extração de minério de ferro. Mas, de vez em quando, trilheiros e turistas percorrem as ruínas das casas, vazias e silenciosas, hospedando-se em algum hotel fazenda da região. Vale muito a visita, para quem procura férias...
Read moreÉ um sítio arqueologico incrível! Ele é uma parte da época da mineração, cravada na serra de Itabirito. Possui vestígios de diversas construções, desde habitações a capelas, e estruturas de onde ficavam as rodas d'água. É de fácil acesso, pois está na beira da BR, mas lá dentro é preciso estar com provisões principalmente de água, pois pode ser bem puxado. É um lugar que vale conhecer, pois faz parte da história de MG! É um passado que não pode...
Read moreLogo após o soterramento dos escravos e depois de inúmeras tentativas frustradas para resgatá-los, a mina foi inundada, as construções incendiadas e aterra salgada, seguindo-se o abandono total da atividade. Fonte: "O Livro das Minas de Minas"...
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