A LENDA DA PONTE DA MIZARELA:
Reza sobre ela, a seguinte lenda: "Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao Diabo, se disfarçou em salteador perseguido pelas justiças de Montalegre, e foi certo dia, à meia-noite, àquele lugar para passar o rio. Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do Inimigo. Ouve-se um rumor subterrâneo e eis que aparece, afável e chamejante, o anjo rebelde:
"Que queres de mim?" - perguntou ele.
"Passa-me para o outro lado e dar-te-ei a minha alma."
Santanás, que antegozava já a perdição do sacerdote, estendeu-lhe um pedaço de pergaminho garatujado e uma pena molhada em saliva negra, dizendo:
"Assina!".
O padre assinou. O Demo fez um gesto cabalístico e uma ponte saiu do seio horrendo das trevas.
O clérigo passa e, enquanto o diabo esfrega um olho, saca da caldeirinha da água benta, que escondera debaixo da capa de burel, e asparge com ela a infernal alvenaria, fazendo o sinal da cruz e pronunciando bem vincadas as palavras do exorcismo.
Santanás, logrado, deu um berro bestial e desapareceu num boqueirão aberto na rocha, por onde sairam línguas de fogo, estrondos vulcânicos e fumos pestilenciais. O vulgo das redondezas, na sua ignorância e ingenuidade, e não sabemos a origem, aproveita-se da ponte para ali exercer um rito singular.
Quando uma mulher, decorridos que sejam dezoito meses após o seu enlace matrimonial, não houver concebido, ou, quando pejada, se prevê um parto difícil ou perigoso, não tem mais que ir à Mizarela, à noite, para obter um feliz sucesso. Ali, com o marido e outros familiares, espera que passe o primeiro viandante. Este é então convidado para proceder à cerimónia, a qual consiste no baptismo in ventris do novo ou futuro ser. Para isso, o caminhante colhe, por meio de uma comprida corda com um vaso adaptado a uma das extremidades, um pouco de água do rio e com a mão em concha deita-a no ventre da paciente por um pequeno rasgão aberto no vestuário para este efeito, acompanhando a oração com a seguinte ladaínha:
Eu te baptizo criatura de Deus, Pelo poder de Deus, e da Virgem Maria. Se for rapaz, será ‘Gervás’; se for rapariga, será Senhorinha. Pelo poder de Deus e da Virgem Maria, um Padre-Nosso e uma Avé-Maria. "
O barulhar iracundo da cachoeira no abismo imprime a estas cenas um cunho de tétrica magia. Segue-se depois uma lauta ceia, assistindo, geralmente, o improvisado padrinho. E o êxito é completo: um neófito virá alegrar a família. Claro que se na primeira noite não passar o viandante desejado, a viagem à Mizarela repetir-se-á até o cerimonial se realizar nas condições devidas.
De um dos lados ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou "Púlpito do Diabo", por crer que o Demo vai ali pregar à meia-noite, quando as bruxas das redondezas se reunem em magno concílio… Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, O...
Read moreModern visitors to the Misarela Bridge won’t have to worry about it vanishing beneath their feet. The sturdy stones allow anyone to walk (or flee, if they must) across the river. In fact, in the early 19th century, French troops did use the bridge to flee from British forces during the Peninsular War.
While you’re there, be sure to take in the views of the surrounding nature. Trees and plants fill the space, their verdant cover creeping down the hillside until it meets the water and rocks. After a wet spell, you’ll likely catch a waterfall cascading over the rocks near the bridge. In the summer, people can take a dip in the...
Read moreA Ponte de Misarela, também conhecida por ponte do diabo, localuza-se sobre o Rio Rabagão, a cerca de 1 Km da sua foz, no rio Cavado, freguesia de Ruivães , Vieira do Minho. Liga as freguesias de Ruivaes a Ferral de Montalegre. Esta implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado assente sobre penedos. Tem um único arco com 13 metros. Foi erigida na Idade Média, no princípio do século XIX. Está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1993. Existe um Lenda: " Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao diabo, se disfarçou em salteador perseguido pela justiça de Montalegre, e foi certo dia , à meia-noite aquele lugar para passar o rio. Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do inimigo, que perguntou o que queria dele. Ele disse-lhe, passa-me pera o outro lado e dar-te-ei a minha alma. Satanás pediu-lhe para ele assinar um o pedido. O padre assinou e o diabo fez aparecer uma ponte. O padre entretanto saca de água benta e benze a ponte e o diabo deu um berro e desapareceu. O povo depois aproveitou-se da ponte que apareceu de uma noite para o dia e comecou a fazer ali um ritual. Quando uma mulher não consegue conceber um filho, vai levada pelo marido e família à ponte de Mizarela, à noite para obter o filho desejado, à espera que passe o primeiro viajante. Este então é convidado para proceder à cerimônia do baptismo " in ventris do novo ou futuro ser". Para isso o viajante tem de colher no rio com uma corda, um pouco de água e com a mão deita-a no ventre da paciente, por um pequeno rasgão , aberto no vestuário para esse efeito acompanhado de uma oração. Segue-se depois uma lauta ceia. Ao lado da ponte ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou de...
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