Seis Mil Anos de Pão e o Preço da Ignorância
Fim de tarde em Florianópolis. A brisa começava a dar sinais de outono, aquele frescor que pede um café com leite e, quem sabe, um pão com manteiga. Minha amiga, em tom de convite quase infantil, sugeriu: “Vamos tomar um café com leite?” Fominha que sou, aceitei sem resistência. E assim começou a pequena odisseia que nos levaria à padaria Kompann — com “K” e dois “A”, como quem avisa que ali o pão tem pedigree.
Ela havia visto o lugar passando de carro. Artesanal, disse. De fermentação natural, acrescentou. Entramos no carro e fomos atrás do tal templo do trigo. Ao chegar, a primeira impressão foi de requinte. Madeira clara, design minimalista, um garçom com sotaque indefinido — que depois se revelou embora o país exato parecesse variar conforme o humor da casa.
Sentei-me à mesa e fui recebida por uma trindade literária improvável: dois livros de poesia e um volume encorpado intitulado Seis Mil Anos de Pão. Abri. Li duas páginas. Pedi um pedaço do pão da casa com manteiga. Dei meu nome. Pedi também um macchiato. Minha amiga, mais direta, queria uma baguete na chapa com manteiga. O garçom hesitou. Disse que não havia baguete na chapa com manteiga no cardápio. Apontamos que havia baguete. Que havia chapa. Que havia manteiga. Ainda assim, ele declinava com a paciência de um monge tibetano. Depois de algumas recusas, finalmente: “Vou ver o que posso fazer.”
Ela conseguiu a baguete. Eu li mais duas páginas. Fiquei tão envolvida com o livro que, em um impulso, comprei um exemplar online ali mesmo, antes da chegada do café.
Demorou. Mas veio. A baguete veio cortada com rigor geométrico: longitudinal e transversal. Uma cruz. Achei curioso. Perguntei: “E o meu pão da casa?” Ele, olhos vagando pelo teto da padaria como quem consulta os deuses do glúten, respondeu: “É o mesmo pão. Só muda o formato.”
Aceitei. Já não tinha forças para explicar que, se muda o formato, talvez o nome também devesse mudar. Afinal, eu não queria ensinar semiótica a um atendente que já estava em conflito com a própria noção de cardápio.
O pão, vendido como poesia fermentada, era duro. Duro com dignidade, como quem carrega a história dos seis mil anos nas costas. Pedi geleia. Não um vidro, uma porção. Ele pensou. Procurou. Sumiu. Voltou. Sumiu de novo. Conversou. Riu. Flertou com o tempo. Eu perguntei alto: “A geleia está vindo?” Ele veio. Trouxe. Geleia de pimenta.
Comemos em silêncio.
Fomos ao caixa. A baguete custava treze reais. O garçom disse: “Quarenta reais.” Eu, surpresa e ironia: “Quarenta reais por uma baguete e dois cafés?” Ele: “Sim.”
Mas aí, o plot twist. Aqueles quarenta reais eram da minha amiga. Veio então minha conta. Outra conta. Outra surpresa. A baguete dela, que custava treze, ganhava um adendo: onze reais pelo processo de colocar na chapa. Um gesto culinário elevado à condição de arte performática. Onze reais pela coreografia do pão em contato com o calor.
Fiquei estarrecida. Impotente. Exausta. Depois de um dia de trabalho e estudo intenso, tudo que eu queria era um pouco de pão. Mas não sabia que ali, na Kompaan, não se vendia apenas pão — vendia-se a ideia de que o tempo, o gosto e até o corte geométrico de uma baguete poderiam justificar qualquer coisa. Inclusive o absurdo.
Saímos. A noite caía. Na vitrine, o livro Seis Mil Anos de Pão ainda repousava. E eu pensei: seis mil anos de história para isso — para chegar ao ponto em que uma baguete na chapa se torna um artefato de luxo.
E foi ali que compreendi: o pão resiste. Mas a...
Read moreAs opções de pães e acompanhamentos (cafés, chás, etc) são de qualidade excepcional, além do atendimento de todos os funcionários, todos sempre solícitos, pacientes, e extremamente solícitos. A única ressalvas que faço é a dificuldade de encontrar vagas para estacionar (parece que a padaria só foi feita para quem mora muito perto e "vai a pé " consumir), e o ambiente pequeno, querendo "caracterizar intimista", o que indisponiliza muitas vezes que alguém consiga uma mesa para sentar, pois há sempre pessoas sentadas, utizando a Internet em seus notebooks, sem consumir, e não possibilitando que outros clientes possam também usufruir dessa excelente padaria. Já desisti de consumir "in loco", pois percebi que praticamente sao "as mesmas pessoas" que rotineiramente frequente a padaria com esse terrível hábito de ocupar as poucas cadeiras/poltronas por longos períodos, impedindo que novos clientes possam usufruir. Já indiquei a padaria para muitos amigos do bairro, e quase todos não irão voltar lá por causa da falta de local para sentar, em virtude de terem sempre "a mesma turma" usufruindo desses espaços. Reitero, entendo que a padaria é artesanal e intimista, e tem essa intenção, de criar um ambiente mais informal. Mas, como crítica construtiva de um cliente admirador, acho que deveriam, de forma sutil, rever esse conceito, pois estão "perdendo", ou deixando de ganhar novos clientes, em face à essa situação. Eu só compro para "delivery", pois NUNCA encontrei uma mesa disponível nos horários que fui, e já vi as mesmas pessoas várias vezes sentadas, sem consumir por longos períodos. Peço desculpas, e entendo se essa ea opção da padaria, de preservar os clones fiéis, sem intenção de agregar novos clientes. Parece que essss clientes "fieis" adoram copiar o modelo de consumir de outros países, em padarias, onde ficam tomando um café e lendo um livro (raramente um notebook), "fazendo tipo" de intelectual descolado (desculpem novamente pelo texto indelicado). Resumo: Padaria com preço alto mas plenamente justificável pela qualidade dos produtos. Atendimento impecável de todos os funcionários Pratos e cafés excepcionais Praticamente impossível de encontrar um local para estacionar e para sentar...
Read moreEu estava na expectativa de comer algo bem gostoso de café da tarde e foi uma frustração. Primeiro eu e meu marido escolhemos 3 opções do cardápio, não tinha nenhuma das 3. Ali meu marido já desistiu de pedir mais alguma coisa. Mas eu, grávida estava com muita fome, queria comer alguma coisa. Pedi um chocolate quente, na expectativa de ser UM CHOCOLATE QUENTE e um queijo maciambu, que dizia vir bem recheado de queijo mel silvestre e granola. O chocolate quente veio bem rápido e morno, minha decepção começou com o chocolate quente, que era leite com com chocolate em pó, não era um chocolate quente cremoso, que até faço melhor em casa. Pensei que logo o lanche que perdi viria. Mas passou 30 min, meu chocolate quente estava chocolate frio e nada do meu lanche chegar. Fui perguntar se já estava quase pronto, pois senão eu iria cancelar, pois estava com fome, já queria ir pra casa fazer algo pra comer. Quando perguntei depois de tempo esperando, faltava um ingrediente, a granola, que eu pedi justamente pq vinha granola e tinha passado aquele tempo todo e não vieram avisar. Pedi se teria desconto, senão ia cancelar, me prometeram o desconto. Quando chegou o pão, foi a penúltima frustração, era uma fatia de pão com dois míseros pedaços de queijos, não era recheado, só comi rápido e fui pagar. Quando fui ver o desconto( última frustração), eles me deram um desconto de 10%, que só descontou a taxa de serviço que praticamente não teve, pois eu tive que ir atrás de fazer o pedido, tive que ir atrás de perguntar porque não tava pronto etc... Só não falei nada na hora, pq não gosto de fazer confusão ainda mais grávida. Mas nem pedido de desculpas eles deram. Fui pra casa com fome, decepcionada. Enfim, talvez seja bom o café, mas tbm não quis...
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